Quando a escrita se torna sobrevivência

Em “Caderno do Viajante: Mendigo de Paris”, Rodrigo H. Maran transforma a experiência com a dependência química em diário poético. Lançamento será no dia 15 de janeiro, às 18h, na Livraria da Vila do Park Shopping Barigui, em Curitiba

O que pode nascer de um diário escrito em um dos períodos mais conturbados da vida de um autor? “Caderno do Viajante: Mendigo de Paris”, do escritor Rodrigo H. Maran, sob o pseudônimo Fabiano Bartolomeu, reúne poemas e textos confessionais escritos durante a dependência química. Publicado pelo selo Artêra, da Editora Appris, o livro se organiza como um diário íntimo e será lançado no dia 15 de janeiro, na Livraria da Vila do Park Shopping Barigui, em Curitiba.

Estruturado como um caderno de registros em tempo real, o livro acompanha o autor em sua travessia pessoal pelo vício, pelas crises psíquicas e pelas tentativas de reorganizar a vida. Ao longo das páginas, surgem relatos de recaídas, consultas terapêuticas, reflexões filosóficas e momentos cotidianos com os filhos, Davi e Benjamin, que atravessam a narrativa como presença constante. A escrita aparece como necessidade vital, sem filtros ou convenções literárias, transitando entre poesia, prosa e confissão.

Embora não se apresente como um relato de superação, o livro dialoga diretamente com o debate contemporâneo sobre saúde mental. Hoje, sóbrio e frequentador de reuniões de Alcoólicos Anônimos, o autor reconhece a dependência como uma doença progressiva e fatal. “Minha luta mais tensa é com a sobriedade”, afirma. “Mas sóbrio, minha vida anda pra frente.” Ao final, o livro se afirma como testemunho literário sobre fragilidade humana, permanência e a escrita como forma de continuar.

Um dos eixos da obra é a dependência química entendida como uma experiência que se instala no corpo, na mente e nas relações interpessoais. “A dependência química é uma pandemia”, descreve o autor. “Ela destrói a vida das pessoas e dos familiares. As clínicas estão cheias, muita gente morre por overdose ou é morta pela violência que atravessa esse contexto.” Ao trazer sua vivência para o campo literário, Maran desloca o olhar moralizante sobre o vício e propõe uma leitura mais humana do sofrimento psíquico.

A paternidade também ocupa lugar central no livro, funcionando tanto como ponto de sustentação quanto como fonte de conflito e culpa. O divórcio e o fim da relação com Sibila, mãe de seus filhos, marcam o período mais profundo da crise narrada. “Escrevi sobre o divórcio porque foi quando mais fui mais a fundo no meu fundo do poço”, relata. “Ainda caio nos abismos, mas hoje consigo me levantar.” A escrita surge, nesse contexto, como gesto de catarse, capaz de transformar a experiência vivida em elaboração simbólica.

Influenciado por autores da literatura, da filosofia e da psicologia, o autor assume uma escrita intensa e detalhista, construída a partir da angústia e da contradição. “Escrevo o que penso”, afirma. “Faço dor virar paixão, a paixão virar virtude.” Para o autor, a literatura nasce daquilo que é vivido de forma extrema, sem idealização. “As pessoas gostam de arte feita com sangue e com alma”, diz.

Sobre o autor: Rodrigo H. Maran é escritor e poeta curitibano. Atua na escrita de poesia e prosa de caráter confessional, com interesse em temas como subjetividade, dependência química, sofrimento psíquico, paternidade e espiritualidade. Desenvolve também atividades profissionais fora do campo literário, ligadas ao trabalho no meio rural.

Serviço

Lançamento do livro “Caderno do Viajante: Mendigo de Paris”

Data: 15 de janeiro 

Local: Livraria da Vila – Park Shopping Barigui (Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600 – Mossunguê, Curitiba, PR)

Horário: 18h

Entrada gratuita

Paulo Queiroz
21967364634
[email protected]
By Curitiba Hoje

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